Boa noite…
Hoje, depois de adquirir um maço do meu péssimo vício do tabaco, saía do centro comercial e cruzei-me com uma vizinha e o respectivo marido, da minha mãe.
Após as costumeiras saudações…como está? e os filhos? e os irmãos? e a vida?… etc etc… fiquei especada a observar a cadela de 14 anos que eles têm.
Ao longo destes anos ela cresceu, envelheceu, foi sujeita a diversas cirurgias. Mas está cá ainda.
Começámos a conversar e, uma vez que faleceu recentemente um dos cães da minha mãe, ela falou-me numa cadela a ser adoptada na União Zoófila.
Foi abandonada com 10 anos. A dona limitou-se a cometer a atrocidade de depositar lá a cadela, como se de algum dejecto se tratasse.
É um verdadeiro cliché, mas eu cresci no meio de animais…de pessoas que os tratam e fazem tudo para que sobrevivam. Detinha o sonho de ter uma quinta onde pudesse albergar todos os cães abandonados, somente com o que ganhasse para os sustentar.
Estamos fartos de ouvir falar em todo o lado do abandono dos cães em determinadas alturas do ano.
Revolta-me profundamente!
Grita-se aos 7 cantos que há animais no corredor da morte por falta de donos, por haver pouco espaço, falta de alimentos, de abrigos… Um sem número de motivos para que se justifiquem diariamente os “abates” que se cometem.
Ninguém se recorda dos peluches em pequenos? De termos tanta pena dos animais abandonados?
Dos nossos heróis de infância, que todos salvavam?
Que sociedade esta que construímos, que quer saber, maioritariamente de raças, pedigree, idade dos canídeos?
Peço que façam um exercício:
Já pensaram se começarem a adoptar animais em fim de vida?
Só há vantagens nesta situação: os animais por serem mais velhos, recebem um tratamento especial e mais cuidado, para que possam definhar com dignidade e conforto.
Os queridos, por mais feios que possam ser ( porque há quem escolha os animais pela beleza) agradecem com aquela expressão tão característica que nos leva sempre a verter lágrimas de comoção.
O ganho pessoal ao adoptarmos atitudes práticas e lógicas tendem a dar frutos numa longevidade panorâmica!
Vejamos o lado prático para as pessoas que “pretendem” o bem:
Libertam os canis com mais facilidade, uma vez que os animais estão velhos e mais cedo poderão ir adoptar outro animal, mais novo, quiçá?
A grande questão aqui, no meu entender, será a capacidade que temos que ter para enterrar todos estes animais, por nos afeiçoarmos a eles. Explicarmos aos nossos filhos que eles estão lá uns tempos, mas um dia hão-de chegar da escola e depararem-se com a ausência dos seus animais. E, acima de tudo, demonstrar-mos de alguma forma o conceito humanidade!
A enorme alegria é podermos contrariar a injustiça, de que tanto ouvimos falar!
E, obstinadamente, olharmos a injustiça como ela é, opondo-nos com olhos vigilantes contra todas estas adversidades.
Deixo-vos com este cliché….

Não a conheço pessoalmente. A sua foto diz-me que é uma mulher bonita. Este “post” revela uma grande beleza interior.
Bem haja !!!
Um beijinho
António