BACI….

BACI…Os chocolates Baci. “O amor é uma erva espontânea, não uma planta de viveiro” (I. Nievo)

Esta era a frase que continha o bombom que eu devorei hoje. Quem não os conhece? E os pensamentos que eles contêm?

Há uns dias, uma muito querida e grande amiga perguntou-me descaradamente “ Porque não escreves sobre o amor?” Fiquei estupefacta.

Escrevo cartas de amor, disserto sobre os meus desamores, percebo quando o vejo à distância nos outros, mas não falo nem escrevo sobre o amor…ou a minha perspectiva do mesmo. Busco incessantemente o conceito em mim, sou a pior alminha para falar disto, fujo mal o farejo no horizonte.

O que tem isto a ver com a frase que envolvia o meu bombom? Tudo. Acho que descreve da melhor forma o amor.

Por quaisquer nenhuns, as pessoas falam de amor!

Quando olho pela janela de algum comboio que tenha apanhado, o metro, o eléctrico, não é isso que vejo.

Cães abandonados, crianças com fome, pessoas a mendigarem. Agressividade e individualismos prementes em todos os átomos de oxigénio, que se transformam em substâncias tóxicas. Ódios? Ou falta de amor? O amor deve fazer-nos sorrir.

A sensação de pairarmos deve estar em 1ª instância. O livro de Jane Austen “Pride and Prejudice” espelha essas emoções todas com uma perfeição cirúrgica.

Aquela raiva que a Elisabeth Bennet sentia perante o famoso Mr Darcy e, simultaneamente vontade de ser afrontada por ele.

O desconhecimento absoluto dos nossos sentimentos, a ideia de nos dizerem que estamos apaixonados por essa pessoa torna-se hilariante aos nossos sentidos. A total disparidade de feitios pressupõe o afastamento de ambos. Mas o fascínio que a pseudo-arrogância, intelectualismo e generosidade dissimulada exercem sobre mim!

Quando penso e recordo continuamente a leve impressão de amor, busco algo que desconheço. Inquietante!

Rodopio no meio das ruas desertas à noite, nos braços de alguém que me faz rir e me diverte imenso. Mesmo quando está calado. Consegue encher os meus pensamentos e sinto-me preenchida. “ Pára o carro! Para quê Leonor? Quero dançar esta música agora, aqui. Estás a falar a sério? Estou. Pára e sai. “ Ri-se e olha para mim de forma estranha, mas segura-me com força. É tão delicado, por baixo daquela máscara que mantém de absoluta frieza e arrogância. Rodo feliz e desligada do mundo, não interessa se os carros abrandam, se os transeuntes param com ar reprovador. Acabam todos por se render aos risos que damos.

Ele empurra-me para longe e eu digo adeus e, ele agarra-me novamente, para me envolver nos braços…aproxima a cara da minha, murmura qualquer coisa que me faz rir novamente e sentir uma miúda. Levanta-me no ar para, de seguida, entrar no carro com o ar mais sério que consegue.

Isso diverte-me. Questiono-me sobre o motivo que o levou a parar abruptamente. Entro e agradeço o momento. Ele retribui de forma enigmática.

O amor deve ter a mesma vista que podemos vislumbrar do topo dos melhores bares da nossa fabulosa cidade de Lisboa.

Experimentem o bar do Hotel Sheraton, com um piano sui generis em acrílico, a vista cortante do Hotel do Bairro Alto. A paz que sentimos ao observarmos o estuário do Rio Tejo, o Cristo Rei, o jogo de luzes reflectidas no rio e a suave ondulação originada pelos barcos que lá navegam. E digam que há momentos de suposto amor que não conseguem superar as sensações que temos nestes sítios! Não conseguem.

Não podemos sentir-nos sozinhos nunca, mesmo que distem centenas de km’s do outro. Em quem pensamos aquando de uma novidade boa e uma noticia má, um momento de tristeza? Qual o sorriso que vemos nos nossos momentos de euforia?

Quem consegue, quando acreditamos que mais ninguém nos pode ajudar, sem pronunciar uma palavra, segurar a nossa mão e, num amplexo, pela sua intensidade, obrigar-nos a soltar tudo o que nos consome? Com o silêncio, um olhar, um trejeito no canto da boca, demonstrar o entendimento e o respeito por que ansiamos?

Não sei quem, mas sei que o amor deve fazer-nos sentir bem. Todos os problemas se diluem embora constantes. O nome rouba-nos um sorriso. O olhar um suspiro. A voz… A voz congela os nossos movimentos. O outro? Esse fica-nos com a alma….e resta um palco de circo, uma dança ao luar e à chuva ao som de Kravitz… Espontâneo!

Baci…

 

One Response to “BACI….”

  1. Carocha diz:

    Se o amor é isto… também quero!

    Carocha

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