Antes de mais, um Ano com perspectivas melhores e obtenção de metas para todos.
Não gosto desta época.
No geral adoro ver as árvores da Avenida da Liberdade iluminadas e, imaginar-me de charrete a descê-la, num vestido em veludo verde seco do séc. XVIII.
Não gosto. As pessoas parecem formigas desagradáveis e azedas aos encontrões em busca de presentes supérfluos e ninguém pára.
Significado de Natal? Muitas compras, milhares de cifrões nos nossos telejornais….”gastaram-se em média 65€ por dia/pax….os cartões de crédito atingiram um limite absurdo”….
E agora pensemos se cada um tivesse gasto 30 miseros € a doar para alguma instituição???? E em vez das mil e uma prendas para os familiares que já têm de tudo e, que inventamos mais alguma necessidade de ultima hora, tivessemos feito os postais personalizados a cada um?
Já digo qual o efeito.
Teria sentido.POr favor, os saldos são em Janeiro! What’s the point of spending that much, when we can have it for half??
Ah, iam todos ficar ofendidos, porque não pode nao ter dado uma prenda. Porque será? Fiz alguma coisa para não merecer a prenda? Claro que não, mas ferir as susceptibilidades que não lembram a ninguém já não podemos.
De qualquer das formas adoro ver o meu filho com as prendas e a alegria patente no rosto dele. Ele vibra, quando lhe damos o que ele de facto queria.
Mas acima de tudo, quando me fez correr o el Corte Inglés para comprar coisas na Unicef e na Séphora… porque, Mamã, contribuimos para as instituições. Sabes que a Séphora ajuda a Fundação Gil?
Não sabia. O sorriso da senhora que nos atendeu ao ouvir esta explicação valeu por tudo.
Custa-me que em tempos tão dificeis se discutam casamentos homo ou hetero…
Assistimos à destruição de centendas de casas em plena véspera de Natal e a uma onda de solidariedade por parte de bombeiros, autoridades, vizinhos,…..
Aquele jornalista incomodou-me. O da TVI. O tal que perguntou se tinha sido um Natal para melhor ou para pior, a um senhor que acabava de explicar que tinham comido à luz das velas…sem tecto, sem aquecimentos. Uma casa consstruida com uma vida de trabalho.
E a humildade com que o senhor respondeu que, naturalmente …Diferente!
O que queria o excelentíssimo jornalista como resposta? “Ah, foi fabuloso, junte-se a nós se considera para melhor!”
O idiota ainda se riu ao fazer a pergunta.
Desculpem-me a revolta, mas comoveu-me a humildade e resignação conformada das pessoas, gentes de trabalho e, em contraste perguntas ridiculas, mínimas e ofensivas.
Teria dado um exemplo óptimo se arregaçasse as mangas do seu blusão novo, e em vez de pegar no microfone, ajudasse a distribuir mantimentos e mostrasse na TV como se AJUDA DE FACTO!
Esta época NAtalícia lembra sempre as coisas tristes da quem não pode festejar como muitos de nós.
Nesta altura, esquecemo-nos, sem expcepção, de tudo o que existe de hediondo pelo mundo fora…e mesmo ao nosso lado, para fingirmos um sentimento de absoluto afecto pelos nossos, com quem nunca estamos.
Mas não sou eu, sozinha, que consigo mudar o Mundo.
Preciso somente do desabafo…e da parede que estiver disposta a ouvir.
Um excelente Ano para todos
bjs
